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QUANDO O NOSSO FUTURO TAMBÉM É
UMA QUESTÃO NOSSA
Bravo Nico
Presidente da Direcção
jbn@uevora.pt
São Miguel de Machede é uma
freguesia do concelho de Évora, onde habita cerca de
um milhar de pessoas. Uma pequena vila como tantas outras.
No entanto, este território possui uma particular peculiaridade,
que o distingue de todas as outras vilas e aldeias do Alentejo:
é a nossa terra!
A nossa terra não é uma
simples expressão do quotidiano. É, normalmente,
a tradução de um forte sentimento, contextualizado
geográfica e socialmente, que faz com que aquele(a)
que a utiliza deixe transparecer um laço assumido e
decisivo com um território e uma comunidade.
A nossa terra implica dois compromissos:
o primeiro, aquele que decorre de pertencermos a um sítio,
a uma comunidade e a um tempo; o segundo, o que resulta de
assumirmos, com esse sítio e essa comunidade, a responsabilidade
de, ali, percorrermos parte significativa do nosso tempo vital.
Ali, não noutro local que não seja aquele que
é limitado por aquele território e por aquelas
pessoas.
Foi esta decisão - a de viver ali, com
aquelas pessoas - que um grupo de habitantes de São
Miguel de Machede tomou, quando, em Março de 1998 criou
a SUÃO-Associação para o Desenvolvimento
Comunitário.
Porquê SUÃO?...
O nome tinha que transmitir uma mensagem de
esperança e de capacidade empreendedora.
SUÃO remete-nos para a fatalidade do
vento que nasce na fornalha africana e nos rouba água
e a frescura. Mas SUÃO é também um dos
ventos que, como qualquer outro, faz girar as pás dos
moinhos, possibilitando a transformação do cereal
em farinha. Por outro lado, SUÃO é o título
de uma obra referencial da cultura alentejana escrita por
Armando Antunes da Silva (1921-1997), na qual se descreve
a eterna luta do(a) alentejano(a) contra uma natureza e uma
circunstância social adversas.
Para nós, SUÃO traduz a luta
do Alentejo, na qual a capacidade de resistência e de
criatividade do(a) alentejano(a) sempre se conseguiu sobrepor
a uma Natureza rude e mínima e a contextos políticos,
sociais e económicos esvaziadores de pessoas, oportunidades
e esperanças. Era esta a nossa mensagem: fazer o
máximo com o mínimo; construirmos as nossas
vidas, aqui, com estas pessoas, neste tempo.
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